Trabalho remoto, trabalho a distância, teletrabalho, home office… Não importa o termo preferido, a verdade é uma só: esse estilo de trabalho chegou para ficar para milhões de pessoas no Brasil {cerca de 1 a cada 10 trabalhadores, segundo o Ipea} e no mundo.

Mas como manter o nível de engajamento de um time que trabalha parcialmente ou totalmente a distância? E como encontrar o ponto de equilíbrio certo para aquela equipe em particular? É desse tema que tratamos neste post.

O que a pandemia ensinou sobre nossos estilos de trabalho?

Para Eliane Ramos, que há quase 30 anos trabalha em uma consultoria especializada em análise comportamental e cognitiva e hoje é presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil), a pandemia não mudou tanto sua própria gestão. “Minha equipe já trabalhava com reuniões virtuais devido à distância demográfica, então para nós foi muito tranquilo. Mas é claro que vivemos [o home office] com muito mais intensidade”, fala. 

Para vários clientes seus, a história foi outra: falta de espaço em casa, problemas ergonômicos, comunicação desalinhada, solidão… Os primeiros tempos foram difíceis para todos, é verdade. Mas eventualmente, continua ela, as pessoas assumiram a adaptação e criaram planos de ação próprios para dar conta da nova estrutura de atividades. “Elas foram se organizando e se acostumando um pouco mais a separar os horários, separar os ambientes, fazer as pausas importantes para o almoço, para um café”, diz. 

E conforme as performances em home office se mostravam adequadas {ou não} naquele novo momento, quem estava na gestão e na liderança de equipes se viu diante de uma variável superimportante, e que antes ficava meio de lado: a personalidade e as preferências das pessoas em seus times. 

“A pandemia de covid-19 veio acelerar o processo de misturar um pouco as coisas: não dá para separar o perfil profissional do perfil pessoal, é um ser humano integral. E aí vem essa responsabilidade de ter um olhar mais cuidadoso para isso”, diz.

Em um cenário de pressão tão grande quanto a pandemia, com tantas coisas mudando ao mesmo tempo dentro e fora do trabalho, impactando corpos e mentes, virou uma necessidade entender melhor quem eram aqueles profissionais e ir além da personalidade-de-escritório.

Eliane traz um exemplo: “Nós fizemos uma pesquisa de comportamento em uma empresa para entender como o perfil poderia afetar o trabalho remoto. As pessoas mais extrovertidas, que se energizam com os outros, tiveram mais dificuldade. Já os mais introvertidos e analíticos se saíram melhor”. 

O aprendizado é que não existe receita de bolo: tem quem se sinta isolado sem ver ninguém do trabalho, quem nunca mais quer pisar num escritório na vida, quem topa a depender dos horários e por aí vai. Para engajar uma equipe diversa e mantê-la engajada, agora é preciso entender quem é quem. 

Autoconhecimento e empatia organizacional: valores em alta

Eliane diz que esse panorama tornou o autoconhecimento importante para todo mundo, do CEO da empresa à pessoa que está estagiando. “É entender seus pontos fortes, seus pontos fracos, o que te dá satisfação plena”, explica. 

E aí entra um outro ingrediente muito valorizado durante a pandemia: a empatia organizacional, que deve entrar de vez na cultura das organizações para criar laços de confiança entre as partes. “Ela significa ter conversas individuais e em grupo, entender como as pessoas estão, o que estão querendo, que dúvidas andam tendo”, fala Elaine. “O maior desafio no trabalho é sempre a comunicação.”

E o futuro do home office, qual é? Conheça o trabalho híbrido

Tem gente que é capaz de manter o home office para sempre, especialmente na área de tecnologia. Mas nem todos trabalham com alguma coisa que permita essa mudança permanente {ou às vezes nem querem, cada um é um cada um!}. 

Por isso, as coisas parecem estar se encaminhando para o trabalho híbrido, aquele que mistura jornadas remotas e presenciais, sem uma medida específica de um ou de outro.

Em um novo relatório sobre trabalho híbrido, a Microsoft elenca tendências importantes para quem está pensando sobre como se adaptar ao que vem por aí e engajar a equipe a distância.

O primeiro ponto do relatório é que uma nova equação entre vida pessoal e profissional, que veio com o home office, veio para ficar: 47% dos entrevistados disseram ser mais provável que coloquem a família e a vida pessoal à frente do trabalho do que seria antes da pandemia. Além disso, 53% disseram que tendem a priorizar mais sua saúde e seu bem estar frente ao trabalho – e esse número sobe para 70% na América Latina!

Consequentemente, se um trabalho presencial entrar no caminho disso, há grandes chances da pessoa simplesmente buscar outro emprego que não tenha essa exigência. 

E para quem acha que é algo que atrai só os mais jovens, o relatório também chama atenção para o quadro: é quase igualmente atraente para as quatro gerações economicamente ativas, da Geração Z aos Boomers.

De forma geral, entre híbrido e home office, as pessoas parecem dispostas a trocar de um para outro: 51% dos trabalhadores em regime híbrido considerariam trocar para remoto e 57% dos remotos considerariam o híbrido. 

Como engajar sua equipe em home office

Então tá, já falamos sobre o cenário presente e o possível futuro e os dois envolvem uma boa dose de home office. E se manter uma equipe engajada já é um desafio quando tem gente lado a lado, quando é remoto é preciso prestar atenção redobrada em vários detalhes. 

Dica 1: Abra espaço para uma boa comunicação, priorizando a segurança psicológica 

Parece óbvio, mas é aqui que muita gente encontra uma cilada. Conforme nossas vidas pessoais e profissionais ficam cada vez mais interligadas, é preciso abrir canais de comunicação que nos deem segurança para compartilhar coisas pessoais que afetam nossa performance de trabalho e que também nos deixam vulneráveis – como luto, ansiedade, depressão, burnout, sentimentos de inadequação e tantas outras.

“É preciso conversar. Qual dificuldade a pessoa está enfrentando? Ela não tem um local em casa, por acaso? Está se sentindo isolada? Não está dando conta?”, instiga Eliane Ramos. “Temos que ouvir as pessoas, suas dores, dificuldades e facilidades. Temos que ter uma hora para parar, refletir e conversar.”

Dica 2: Preste atenção em desigualdades socioeconômicas

Entre o potencial de home office no Brasil (16,7%) e o home office que efetivamente existe, tem uma lacuna grande. Segundo o Ipea, um quinto dos trabalhadores que poderiam estar em regime remoto não estão por falta de recursos: acesso a computadores, Internet e até mesmo energia elétrica que segue sempre ligada podem ser desafios.

Preste atenção nisso e tenha empatia ao avaliar as condições das pessoas no seu time. Se achar espaço para melhorar os meios de alguém, acolha com tato, conversem e tomem uma decisão juntos. 

Dica 3: Crie um plano de ação conjunto para trabalho remoto e/ou híbrido

A Microsoft oferece um template de ações para quem quer elaborar acordos com a equipe e chegar em uma jornada que funcione para vários estilos de trabalho. Como está em inglês, a gente traduz a essência aqui:

  • Passo 1: Contextualize o time sobre o tema que será acordado e o que vem por aí
  • Passo 2: Procure (ou desenvolva!) um guia de boas práticas para o trabalho híbrido na sua organização 
  • Passo 3: Leve em conta as prioridades e as dinâmicas que já existem no seu time
  • Passo 4: Crie reuniões tipo 1:1 para apoiar as pessoas, conversar, tirar dúvidas, etc.
  • Passo 5: Alinhe as regras do trabalho híbrido (existem horários em que é preciso estar disponível ou em que reuniões não devem acontecer? É todo mundo online ao mesmo tempo ou pode ser assíncrono? Quais são as expectativas para o trabalho presencial? Quando algo pode ser online e quando pode ser presencial?) 
  • Passo 6: Documente e compartilhe o que foi acordado 
  • Passo 7: Faça follow-ups regulares para ver se o acordo está funcionando e concorde em mudar as regras, se for preciso

Dica 4: Aprenda a oferecer segurança psicológica 

Trabalhe a inclusão ativa das pessoas na tomada de decisões, peça opiniões e feedbacks, esclareça as motivações para as decisões e acolha as pessoas do time. Estudar um pouco de comunicação não-violenta é uma ótima ideia.

Dica 5: Seja o exemplo (mesmo!)

Pouco adianta falar que não precisa trabalhar depois das 19h e mandar um e-mail para a equipe tipo 20h30, certo? É importante seguir as regras que vocês criaram juntos, especialmente de contato durante horários off {almoço, pausa da tarde, etc.}, para não criar uma pressão desnecessária. E como estamos quase sempre com o celular no bolso, esse cuidado deve ser redobrado.

Dica 6: Não dependa só do online para engajar a equipe

Um dos grandes desafios do trabalho home office é justamente criar relações e laços com colegas, que são especialmente importantes dentro de um mesmo time. 

Mas as ideias que surgiram no início da pandemia, tipo transferir o papo com café para o Zoom… Elas não funcionaram super bem! Naquela mesma pesquisa da Microsoft, 66% das pessoas disseram que, se comparado com um encontro presencial, esses cafezinhos virtuais pareciam mais uma tarefa.

E o que fazer, então? Agora que as pessoas estão vacinadas e se sentindo mais seguras para se encontrar, pode ser uma boa ideia retomar alguns encontros presenciais voltados para criar ou reforçar esses laços: um jantar, um karaokê, o que fizer sentido para o grupo.

Se tiver gente de fora da cidade ou que não se sinta segura para sair, vocês podem fazer um brainstorming para encontrar um outro jeito que seja divertido. Quem sabe uma noite de jogo online ou algo parecido? Afinal, quem decide é o time e não a gente!

Como a Alice pode ajudar as empresas nesse novo momento de trabalho?

A Alice {a primeira gestora de saúde do Brasil!} pode ser uma grande aliada da sua empresa nesses novos tempos, quando colaboradores estão priorizando cada vez mais sua própria qualidade de vida e cada vez mais atentos ao que isso significa de verdade. 

Aqui oferecemos muito mais que um plano de saúde empresarial tradicional. Além de ter uma rede de especialistas escolhidos a dedo, que também conta com os melhores hospitais e laboratórios da região metropolitana de São Paulo, nosso foco é na atenção primária e preventiva das pessoas membras.

Nosso Time de Saúde individual – uma equipe com enfermeira(o), médica(o), nutricionista e preparadora(or) físico para cada um – permite que a gente acompanhe de perto a evolução das pessoas e crie, junto com elas, planos de ação que as levem a atingir seus objetivos de saúde e bem estar.

Vem conversar com a Alice e entender o que a gente pode oferecer aos seus colaboradores!